quinta-feira, 7 de julho de 2011

Tragédia Náutica da Noite e do Dia.




          O caminhar da vida é sempre noite, nunca dia. Nas trevas da noite é que as dúvidas emergem nas ondas do destino, obrigando-nos a lutar contra a força das águas noturnas. Estas águas é o que chamamos de dúvidas. E a noite é o que chamamos de angústia. São nestas dúvidas, que nadamos contra a nossa angústia, buscando alcançar o consolo de uma praia, a certeza de um porto seguro, o conforto. Mas se alcançarmos o litoral e não formos fortes, o suficiente, para penetrar pela floresta adentro, ficamos estagnados, preso no conforto de uma fronteira de areia que demarca o mistério do novo, a floresta, e as lutas náuticas do passado, o mar. E sentado na areia, de costas ao desafio e de frente às ondas do passado, ficamos a observar, durante o amanhecer, a dança das águas que antes fora subjugada como empecilhos da vida, mas que, na verdade, eram tragédias, ou seja, a própria vida. Até que um dia vem um novo crepúsculo, acompanhado de uma névoa que turva a nossa visão – já não mais enxergamos a trágica dança do passado – e olhamos para trás, é noite, a floresta resplandece um luar de glória, é hora de largar o conforto da praia, já não podemos apenas admirar a glória do passado, é chegado o momento de largarmos a segurança da certeza. Adentremos a floresta, façamos carne o que é apenas verbo, pois o caminhar da vida é sempre noite, nunca dia.

Um comentário:

  1. Cara, totalmente "benjaminiano". Parabens, o texto tá ótimo. Eu já lhe disse que seu lance é teoria. - Deíllio Souza

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